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Um passeio para retratar com arte as paisagens de Paraty
29/01/2020 12:53 em Arte


Um passeio para retratar com arte as paisagens de Paraty

Membro da comunidade global Urban Sketchers, o artista plástico monta roteiros para entusiastas do desenho de rua na cidade considerada patrimônio cultural e natural da humanidade

Três dias retratando as paisagens do Centro Histórico, de praias, mar e cachoeiras de Paraty, cidade reconhecida como patrimônio cultural e natural da humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura). É o que propõe Sketchtour Paraty Sebrae/RJ - "Caminhos do Brasil Imperial", um roteiro turístico específico para entusiastas do desenho ao ar livre, elaborado pelo artista plástico Lauro Monteiro.

Araraquarense radicado em Paraty há quase 15 anos, Lauro teve a ideia de oferecer o passeio inspirado no movimento Urban Sketchers, criado nos Estados Unidos em 2008, pelo jornalista espanhol Gabriel CampanarioO movimento começou com um blog (http://www.urbansketchers.orgque conectava entusiastas do desenho de locaçãoHoje é uma comunidade global presente em mais de 60 países e com aproximadamente 200 grupos em diferentes cidades do mundo. Sua proposta consiste no encontro dos membros de um grupo para desenhar, em determinado ponto urbano. As obras criadas devem, necessariamente, retratar o dia a dia e os lugares visitados e, depois, compartilhadas pelos membros nos blogs ou páginas dos grupos em redes sociais.

Lauro teve seu primeiro contato com o Urban Sketchers em 2014, quando estava em Portugal para uma exposição individual e participou do 1° Encontro de Desenho de Rua de Torres Vedras - cidade onde até hoje mantém um trabalho com atividades voltadas às artes visuais. Quando, naquele mesmo ano, aconteceu em Paraty o Simposium Internacional de USkele concorreu a uma bolsa de participação no evento e ganhouIniciaram-se ali as atividades do grupo USk Paraty, do qual Lauro é hoje um dos administradores.

Pouco tempo depois, o artista participou do programa Tour da Experiência, de formação em turismo-cultural, do Sebrae-RJ, onde pensou em desenvolver um projeto de atividade para seu ateliê. Inspirou-se na prática do sketching e na Missão Artística Francesa (grupo de artistas e artífices franceses do calibre de Jean Baptiste Debret que veio retratar paisagens brasileiras no início do século 19) para criar o projeto do Sketchtour. Deu tão certo que já  alguns anos ele vem aceitando agendamentos de grupos pequenos (três a cinco pessoas) para passeios de três dias, dentro de dois períodos do ano: no primeiro semestre, de 10 janeiro a 10 de abril, e no segundo, de 10 de junho a 10 de setembro.

É o próprio Lauro quem recebe as pessoas, hospeda em chalés de seu ateliê, localizado na Estrada Real - Caminho do Ouro (Paraty-Cunha), e as leva para as locações, escolhidas a dedo para propiciar uma boa experiência aos artistas. "São locações ótimas para quem gosta de desenhar a natureza e a beleza da Mata Atlântica, mas também a gastronomia, nos cafés simpáticos localizados nas ruas com pavimento de pedra. São experiências únicas", garante.

O investimento médio por pessoa (em grupos de quatro pessoas) em cada passeio vai de R﹩ 750 a R﹩ 1.100, mas podem variar conforme demandas específicas de participantes.

Exercício do olhar

Lauro Monteiro considera o desenho de rua um excelente exercício do olhar, e o Urban Sketchers um dos movimentos mais democráticos que existem atualmente na arte, pois requer só um caderno e algo com o que desenhar e colorir nele. "Não é preciso papel especial, caríssimos pinceis, cavaletes e tintas famosas. Desenhar o que se está vendo, com seus traços própriostraz valorização pessoal e autoestima para o artista", acredita.

Para ele, o movimento também valoriza o desenho como expressão artística. Ele pontua que a técnica vivencia hoje um novo conceito: "não precisamos desenhar tudo certinho e definido, pois a fotografia já faz isso há muito tempo. Se duas pessoas estiverem em um mesmo lugar e tirarem fotos ao mesmo tempo, podem obter imagens muito semelhantes. No entanto, se essas mesmas pessoas estiverem desenhando, vão obter resultados completamente diferentes", exemplifica.

O artista também considera "mágico" desenhar em um caderno - o que ele faz desde o início de sua formação - onde quer que se esteja observando o movimento do mundo. "Este caderno vira - o que os portugueses definem bem - um diário gráfico: a cada página, você sente a emoção daquele momento vivenciado".

 



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