Volume
Rádio Offline
Redes
Sociais
Arte latino-americana ganha destaque na 15ª edição da SP-Arte
11/02/2019 16:09 em Arte

Novos especialistas assinam os setores curados:
- Pesquisadora chilena Alexia Tala dirige o Solo, que se volta exclusivamente a artistas latino-americanos
- Sob curadoria de Tiago Mesquita, Masters foca na produção artística entre os anos 50 e 80 
- Setor Performance adota novo formato sob direção de Marcos Gallon

sp-arte 2019

O trabalho do russo Ilya Fedotov-Fedorov na Fragment (Foto: Ênio Cesar para SP-Arte/2018)

 

Entre os dias 3 e 7 de abril, o Pavilhão da Bienal sedia a 15ª edição da SP-Arte – Festival Internacional de Arte de São Paulo, evento que reúne renomados expositores nacionais e internacionais, entre galerias de arte e design e instituições. Juntos, apresentam mais de 2 mil artistas, entre nomes consagrados do período moderno e emergentes da cena contemporânea. Em meio aos trabalhos expostos, o público poderá conferir três projetos curados: SoloMasters e Performance, concebidos com o objetivo de expandir e diversificar a programação do Festival.

Na ocasião dos quinze anos da SP-Arte, o evento chega à maturidade renovando a equipe de curadores. Alexia Tala (Chile) assume a curadoria do setor Solo; a antiga seção Repertório ganha direção de Tiago Mesquita e é rebatizada como Masters; eMarcos Gallon inova o formato do setor Performance.

Confira abaixo um pouco mais sobre cada um desses espaços:

Solo
Nesta edição, a SP-Arte dedica o setor Solo à América Latina e reaproxima o Brasil da região. Criado em 2014, o Solo promove mostras individuais de artistas contemporâneos, proporcionando ao público uma imersão nas práticas apresentadas. A curadoria de Alexia Tala estabelece um diálogo entre projetos distintos que questionam o estatuto das identidades latino-americanas e costuram relações entre narrativas aparentemente desconexas. Nesse sentido, são traçados diálogos por meio de eixos curatoriais que aproximam produções brasileiras a outras da região latino-americana.

A curadora propõe desconstruir a visão eurocêntrica que a América Latina tem de si – terra que se vislumbra descoberta e civilizada a partir do contato com os europeus. A seleção de Alexia explora olhares críticos sobre as consequências da exploração de recursos naturais, os territórios reais e imaginários do continente, ancestralidade e tradição, além da mescla entre estratégias documentais e narrativas poéticas.

Autor de uma obra que recupera o sagrado afro-brasileiro sob uma perspectiva decolonial, Ayrson Heráclito (Portas Vilaseca, Brasil) é um dos grandes destaques da edição, assim como o paraguaio Feliciano Centurión (Walden, Argentina), artista cuja obra se caracteriza pelos bordados em mantas e almofadas, apropriando-se de técnicas tradicionais para expressar imagens e palavras de seu mundo interior. Recentemente, um recorte significativo de sua produção foi apresentado na 33ª Bienal de São Paulo. O bordado também surge na obra recente de Randolpho Lamonier (Periscópio, Brasil), artista que aborda criticamente questões políticas perenes e urgentes do cotidiano nacional.

Entre as estreias internacionais, a Feira recebe as galerias Bendana-Pinel Art Contemporain (França), Die Ecke Arte Contemporáneo (Chile) e Patricia Ready (Chile). A primeira apresenta trabalhos de Sandra Vásquez de la Horra (Chile), artista que toma o desenho como principal linguagem para retratar figuras que fundem culturas, mitos e crenças. Com forte carreira internacional, sua última passagem pelo Brasil foi na 30ª Bienal de São Paulo.

Já a Die Ecke traz a obra de Alejandra Prieto (Chile), que faz uso metonímico de materiais como o cobre e o lítio para tratar do sistema de exploração mineral que sustenta a economia de seu país. Fechando o time chileno, Patricia Ready apresentaMaría Edwards, artista emergente que reconfigura o espaço e os objetos através de suas instalações.

A galeria espanhola Espaivisor retorna à Feira com uma individual de Fernando Bryce(Peru), cujo trabalho se concentra na apropriação de documentos de cultura de massa. O artista participou da histórica 28ª Bienal de São Paulo, curada por Ivo Mesquita. A também peruana Nicole Franchy (IK Projects, Peru) se vale da fotografia, da colagem e do desenho para criar instalações a partir de um olhar mais etnográfico.

De Caxias do Sul, Rafael Pagatini (OÁ, Brasil) realiza gravuras, fotografias e instalações para investigar as relações entre arte, memória e política. A dupla Manata Laudares (Sé, Brasil) marca presença com trabalhos de formatos diversos, que discutem as ambiguidades do mundo virtual, circulação de informação e música.

Confira as imagens de divulgação do Solo (em atualização).

Masters
Antes chamado de Repertório, o setor chega à sua terceira edição sob curadoria deTiago Mesquita. O crítico e professor de história da arte herda seção de Jacopo Crivelli Visconti, próximo curador da Bienal de São Paulo. O projeto visa contribuir para a formação de um repertório mais aprofundado acerca de determinado recorte histórico e artístico. Um dos propósitos da seção é apresentar para o público artistas ou trabalhos de relevância que, por motivos diversos, tenham sido pouco expostos.

Desta vez, as obras exibidas abarcam o arco entre os anos 1950 e 1980. "Dei prioridade a artistas que pensam as vanguardas depois que as promessas utópicas da modernidade se dissiparam", afirma Mesquita. Problemáticas inerentes ao período, tais como crises de representação e um viés conceitual de tom crítico, permeiam essas produções – todas de artistas do Sul Global. Em seu recorte, Mesquita prezou pela diversidade estética das obras, cuja seleção inclui videoartistas, pintores, performers e artistas conceituais.

Com trabalhos expostos em duas das principais exposições paulistanas de 2018,Mulheres radicais, exibida pela Pinacoteca do Estado, e Histórias da sexualidade, do Museu de Arte de São Paulo (Masp), Letícia Parente (Jaqueline Martins, Brasil) marca presença no setor como uma das pioneiras da videoarte no Brasil. A ela se junta a também precursora do vídeo Analívia Cordeiro (Aninat Galería, Chile), bailarina e coreógrafa que investiga as artes do corpo em associação com as mídias eletrônicas. Outra artista fundamental na arte brasileira presente na mostra é LygiaPape (Almeida e Dale, Brasil), nome seminal do movimento neoconcreto que contribuiu para a expansão dos limites artísticos e deixou um legado multidisciplinar.

Representante do Uruguai na Bienal de Veneza deste ano, o artista Yamandú Canosa(Zielinsky, Espanha) revela o interesse por temas como identidade cultural, memória, relações interpessoais e migrações. A edição conta ainda com a presença icônica deLothar Charoux (Berenice Arvani, Brasil), concretista de origem austríaca que fez do Brasil o seu país logo aos dezesseis anos.

Reconhecido pelo rigor formal e intelectual, Carlos Fajardo (Marcelo Guarnieri, Brasil) tem exibida sua produção das décadas estudadas pelo setor. Contemporâneos, Pedro Escosteguy e Rubens Gerchman (Superfície, Brasil) também participam do projeto. Ambos integraram a histórica exposição Opinião 65, coletiva realizada pelo Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro que enunciou a nova figuração no país, com fortes tendências críticas. Do mesmo período, é destacado Carlos Zilio (Cassia Bomeny & Raquel Arnaud, Brasil), artista cuja trajetória se mescla com a de militante político, tendo a ditadura militar influência direta em suas criações.

Por fim, designer, arquiteto e artista plástico, José Ricardo Dias, mais conhecido comoRidyas (Central, Brasil), tem sua curta trajetória celebrada pela curadoria. Autor de uma obra concisa, ele faz o uso da palavra para a criação de gráficos irônicos, com uma boa dose de crítica social.

Confira as imagens de divulgação do Masters (em atualização).

Performance
Um dos grandes destaques da edição anterior, o setor Performance surge em novo formato: deixa de ter um espaço específico e volta a espalhar-se pela Bienal. Marcos Gallon, diretor artístico da Verbo – Mostra de Performance Arte, assume a curadoria do núcleo.

As seis performances selecionadas refletem a diversidade de práticas que constituem o campo da performance. "Consigo identificar algumas características das performances feitas no Brasil: há artistas que se aproximam de ideias ancestrais; artistas que empregam outras mídias, criando ferramentas ou extensões do corpo; artistas que se aproximam da literatura, entre outros. Me interessam essas questões práticas do fazer, que integram fortemente o campo da performance", afirma Gallon.

Numa colaboração entre a SP-Arte e a Pinacoteca do Estado de São Paulo, o time de curadores do museu escolherá uma das performances apresentadas para integrar o seu acervo. A doação da Feira visa incentivar a presença desta modalidade artística nos contextos comercial e institucional da arte.

"Há artistas que autorizam que o registro da ação seja apresentado, assim como sua reencenação em contextos específicos. Mas há outros que privilegiam a experiência ao vivo. Apesar de complexo, o ato de colecionar performances é possível por meio de registros audiovisuais ou documentais. Queremos justamente fomentar coleções desse tipo no Brasil", completa o curador.

Durante o Festival, o avaf (assume vivid astro focus) (Casa Triângulo, Brasil) apresenta performance inédita que embaralha cultura popular e danças contemporânea e afro. A coreografia é executada junto a um tapete dançante na companhia de uma trilha sonora produzida ao vivo.

Cadu (Vermelho, Brasil) convida tricoteiras profissionais para a criação de um trabalho que deixará vestígios pelos corredores do Pavilhão. Ele toma como inspiração uma senhora artesã que conheceu em uma residência artística na Polônia, fazendo um cruzamento com o mito grego das Moiras.

Cristiano Lenhardt (Fortes D'Aloia & Gabriel, Brasil) conta com a participação de Ayla de Oliveira para criar roupas e objetos cênicos com recortes de jornais, em meio a entoação de prosas poéticas que se desdobram para fora do Pavilhão. Jorge Soledar(Portas Vilaseca, Brasil), por sua vez, encena dois tipos comuns da contemporaneidade – um homem investidor e uma mulher blogueira – em uma performance que reflete acerca da desumanização na sociedade moderna.

Formada em dança, Maria Noujaim (Galeria Jaqueline Martins, Brasil) apresenta uma performance que toma a linguagem como um sujeito que atua diretamente no espaço. Cada ação da artista se estende por três horas, sendo que o espaço da performance é construído junto à arquitetura rítmica presente em desenhos em vinil espalhados pelo local.

O artista JaimeLauriano (Galeria Leme/AD, Brasil) completa o grupo de performances na SP-Arte e realiza uma ação participativa em que mudas de Pau-Brasil substituem as vinte e sete estrelas da bandeira nacional. As plantas serão distribuídas ao público, propondo uma reflexão sobre os acontecimentos políticos recentes no Brasil.

 

Serviço: 

15ª edição da SP-Arte

Preview para convidados: 
3 de abril

Datas abertas ao público:
4 a 6 de abril – Quinta-feira a sábado, das 13h às 21h. 
7 de abril – Domingo, de 11h às 19h.

Local: 
Pavilhão da Bienal - Parque Ibirapuera, Portão 3 - São Paulo, Brasil

Entrada:
R$ 50,00 [geral]?R$ 20,00 [meia promocional*]

*estudantes, portadores de deficiência e idosos com mais de sessenta anos [necessária a apresentação de documento]. O Vale-Cultura poderá ser utilizado para o abatimento de 50% do valor do ingresso. Crianças de até dez anos não pagam entrada.

A bilheteria encerra suas atividades trinta minutos antes do término do evento.

COMENTÁRIOS
Comentário enviado com sucesso!